Valleta Culltural

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Segunda-feira, Março 28, 2005

 
Da série: Ao correr dos caracteres (21)

A casa fantástica

Acontecia uma reunião familiar na casa dos Fontana no dia que resolvi visitar o patriarca, pois este havia sofrido um pequeno acidente e quebrado o pé direito. Mas como em toda a reunião familiar que conheço, cada membro da família levou a sua própria como acompanhante. Bom, e com tanta gente espalhada pela casa poderia considerar aquilo como sendo uma festa. Ótimo, sabendo que aquilo já era uma festa, poderia então tirar proveito da hospitalidade. Mas claro, de maneira comedida. Primeiro porque a idéia da festa no ambiente foi de minha autoria, ou seja, só eu sabia que aquilo era uma festa, e segundo porque o Sr. Fontana, o anfitrião, estava doente. Isso queria dizer uma coisa: não abusar dessa hospitalidade. Na verdade para mim isso não era problema, falo de festas, mas sou uma pessoa pacata.

A coisa estava boa para mim, tinha salgadinhos, pães, geléias e patês, e um bolo não muito grande, mas serviria para saciar a vontade de alguns em comer doces, ou talvez apenas como um complemento alimentar... Para os adultos logicamente, porque para as crianças isso poderia ser, perfeitamente, como a refeição principal. Ia tudo muito bem, todos se alimentaram, depois conversaram um pouco, ainda à mesa, para depois se acomodarem nos sofás e poltronas. De repente perceberam que a cachorrinha poodle dos Fontana havia desaparecido de suas vistas. Mas nem deram muita atenção pelo fato de haver crianças pela casa, e o que ela (poodle) não gostava era ter de dividir seu espaço com elas.

A reunião, ou a festa passou a ter ares de cansaço em alguns dos que ali estavam. O que não era de se espantar para aqueles que estava há horas fazendo "sala" aos visitantes. Principalmente para seu Fontana e seu pé engessado. Lá pelas tantas pedi para me indicarem o sanitário, pois os líquidos estavam fazendo efeito. Tive de subir os degraus até o primeiro piso para fazer uso deste cômodo porque o sanitário que fica próximo à sala estava com defeito. Sem problemas, pensei. Então subi a espaçosa escadaria daquele fabuloso imóvel do século XIX, prestando atenção em todos os detalhes nas telas e nas fotografias espalhadas ao longo do corredor até a entrada do dito sanitário. Grandes e diferentes interruptores de luz ornavam as paredes do antigo casarão. Além das louças como pia e vaso sanitário e bidê que eram um caso a parte. Tudo muito antigo, muito bonito, muito peculiar. Poderia incluir nesta fantástica lista de antiguidades todos os espelhos que ajudavam a compor a decoração da casa.

Pois bem, estava eu lavando minhas mãos enquanto observava os azulejos do banheiro, até que percebi uma dessas bonitas peças de cerâmica com um pequeno quebrado. Mas isso não afetou em nada o conceito que tive sobre a beleza daquela residência. Mesmo porque era tudo muito antigo, e acredito que nem exista mais daquele tipo de azulejo para vender. Então, com as mãos devidamente lavadas e secas era momento de sair dali e me juntar aos outros. E num susto pulei para trás quando abri a porta para sair. Não consegui descobrir o que era, mas uma coisa escura e pequena passou sobre meus pés a toda velocidade. Com o coração acelerado resolvi descer as escadas para comunicar o que vi, digo, o que senti. Rapidamente fui acalmado pelos moradores da casa quando me contaram que era a maluca da cachorra chamada Brenda, que tem como seu passa-tempo correr pelos corredores. Tranqüilizado com a explicação sentei para mais uma rodada de conversa entre os que ali estavam.

As horas, como todos sabem, passam. E passam mais rápido, de maneira cruel poderia assim dizer, quando a conversa flui agradavelmente. Sendo dessa maneira, seria prudente que os visitantes resolvessem ir embora, pois já se fazia tarde. Porém, enquanto o povo se decidia realmente se ia embora ou não, ouviam-se leves ruídos pela casa. Todos pensaram ser um pequeno pássaro se ajeitando em seu ninho, ou, quem sabe, a Brenda brincando pelos corredores com seus brinquedos. E com este pensamento a prosa se estendeu por mais algum tempo, ainda mais porque tínhamos como desculpa o cálice de licor que nos era servido. Claro, não podia recusar esta oferta. Aliás, mal podia esperar para provar o licor que a família Fontana produzia. Segundo especialistas no assunto, tal bebida era respeitadíssima entre os modernos pensadores e intelectuais. De posse dessas informações, seria interessante que eu também pudesse contribuir com minhas opiniões a respeito do licor. Ainda mais quando se tinha uma bela moça para servir a bebida.

Ao longo dessa adorável conversa comecei a olhar, vez ou outro, os quadros expostos na sala onde estávamos acomodados. Porém, tenho a dizer que existem sensações que só acontecem quando estamos no lugar pela primeira vez. Nesse caso era a residência do Sr. Fontana. Tive a impressão, enquanto observava as telas nas paredes, de que um relógio, pintado de maneira magistral no centro de uma bela praça florida, havia mexido o ponteiro dos segundos. Ora, pensei: isso só podia ser efeito do ambiente que nos arremete a épocas distantes, e ainda, e que talvez esse seja a melhor das explicações para meu olhar imaginativo, o dito licor, do qual eu ia sorvendo no momento em que liberava minha mente para passear nos corredores desta casa, que é um verdadeiro portal para o passado.

Mas infelizmente as horas foram passando no meu relógio, e estranhamente no relógio do quadro também, o que fiz questão de ignorar para não ficar impressionado com a situação. E lógico; nem passou pela minha cabeça comentar sobre este assunto com os que ali estavam, pois sem dúvida iriam me chamar de louco, ou pelo menos dizer que eu estaria embriagado. E como não gosto desses pensamentos errados sobre mim, preferi evitar ficar olhando para aquela pintura. Mesmo porque aquilo já começava a me atormentar. Então, levantei-me para ir embora. Já estava tarde e ainda por cima, eu já estava um pouco tonto. Aproveitando da situação os outros convidados também fizeram o mesmo, levantaram-se todos para se despedirem.

Nisso, a moça, filha do Sr. Fontana, se ausentou momentaneamente para procurar a Brenda que havia desaparecido. O que era um pouco estranho, porque ela, a cachorra, segundo me relataram naquele momento, assim que ouvia o barulho da porta se abrindo largava tudo o que estava fazendo para correr até a porta ver quem chegava ou saia. Mas isso não era relevante para mim naquele momento. Pensando assim tratei de me despedir de todos os que ali estavam, pois tinha que ir embora sem o quanto antes. Não podia me demorar mais. Afinal de contas passava da meia-noite. E como teria de acordar cedo tratei de me apressar em sair logo. Mas para isso era preciso, para não ficar chato, me despedir de todos que ali ainda estavam. Primeiro foram os outros convidados, depois, lógico, os proprietários da casa. Seguramente que eu queria ver nos olhos da filha mais velha do Sr. Fontana no momento da despedida. Digamos que fiquei atraído por sua beleza.

Então, após procurá-la pelas dependências do andar térreo, pelos quais pude circular obviamente, encontrei-a em companhia de seu irmão à procura de Brenda pela casa. Estavam em uma das grandes salas indicando e falando de que um som, nunca antes ouvido por eles, saia de uma das paredes daquele cômodo. Estranhamente, após intensificar o tal som, todos percebemos um enorme volume se formando no alto da parede, atrás do papel que a forrava. Além da gargalhada que dilacerou nossas almas no instante em que ouvimos. De repente, aquele volume na parede desceu até perto de nossas cabeças e fez estourar o papel. Tal situação me deixou apavorado assim que vi a cachorra ser cuspida detrás do papel de parede. Ela caiu ao chão sem vida, com seus ossos todos quebrados, e fora arremessada como se fosse uma almofada velha. Aquilo era como se a própria casa estivesse viva, e querendo se vingar de alguma coisa.

Bom, depois daquilo tudo, com certeza não pensei duas vezes, peguei meu chapéu, que já estava sobre um sofá, e tratei de sumir o mais rápido possível. Quanto a bela moça, quem sabe um dia nós pudéssemos nos encontrar, mas bem longe daquele lugar assustador. Porém, isso, só seria possível se eu voltasse a me comunicar com essa gente. O que não foi o caso. Semanas após este incidente li num jornal que a mansão dos Fontana havia sido demolida, mesmo sob os protestos dos conservadores mais fervorosos da região. A demolição do imóvel centenário aconteceu sem explicações plausíveis, e isso, claro, aconteceu diante de uma multidão de curiosos, Sinceramente falando, me senti aliviado. Fiquei tranqüilo depois que li a matéria. Pude assim passear pelas calçadas do bairro. Coisa que não fazia desde a época daquela maldita visita.

Agora, quanto ao Sr. Fontana e seus familiares não tive mais contato. A idéia de me encontrar com moça que estava flertando, naquela mesma noite eu a abandonei, e no instante em que saí da casa. Porém, em um dia qualquer, eu a encontrei caminhando pela calçada do outro lado da rua de minha casa. Imediatamente corri para dentro e me tranquei. E depois disso resolvi me enclausurar em minha própria casa. Pelo menos assim não corria o risco de ver coisas estranhas acontecendo por aí. E com esse pensamento vivi durante os 47 anos que me restaram. Hoje em dia vivo perambulando pela casa com mais uma porção de gente dividindo o mesmo espaço. Mas veja só que coisa estranha, a mulher do casal é a mesma com que eu, enquanto pessoa, estava querendo me enamorar naqueles anos anteriores. Sim, a filha do Sr. Fontana. Até sinto graça disso tudo. Mas não tenho vontade de torcer o pescoço daquele gato que fica urinando nas paredes da minha adorável casa.

Oiram Bourges 07/03/2005


posted by Oiram Bourges 9:35 PM

 
SUPERAÇÃO

Em alto mar posso sentir
O momento em que a grande onda surgir
Meu barco não é dos maiores
Mas a minha vontade de vencer o desafio é
Minha embarcação encontra-se à deriva
Porém, em breve estarei satisfeito
Recompensado pelo esforço empreendido
Gozando de enorme felicidade
E com a cabeça erguida poderei dizer
Estou vivo e seguro naquilo que digo
A vontade de desistir é grande
Mas superar tal vontade é melhor
Com certeza serei motivo de orgulho
Serei reverenciado pelos menores
E admirado pelos maiores
Tudo isso porque enfrentei
A grande onda no mar.

Oiram Bourges 11/10/2001


ENAMORADO

Sentado à mesa da sala estava eu
Munido de papel de carta, tinteiro e boa música
E com pensamentos que viajaram longe
Trouxeram inspirações para uma carta escrever a ti
Narrei situações, descrevi lugares e vidas
Deixei a pena sobre o papel livre a correr
Teci uma história, encantadora por sinal
Livre das travas que costumamos criar
Contei-lhe que por campos floridos passei
Altas montanhas avistei, e as subi
Porém o papel terminava, tinha chegado o final
Então, para encerrar esta em bom estilo
Disse apenas o que precisava para o momento:
Em sentimento, amei-te
Com carinho, amo-te
Para sempre, amarei-te.

Oiram Bourges 02/03/2005


TRÊS EM UM

Corria, corria muito, corria sem parar
Até não mais agüentar
Viver com alegria ou não tanto faz
Com o olhar perdido no horizonte
O meu pensamento fez surgir
Tempo longo de prosperidade
Em simples época de paz
Meu sorriso de pura serenidade
Favor, um simples poderia ser
Sempre estarei aqui
Com ou sem ninguém por perto
O sorriso foi sincero, mesmo longe
Amor, quis te abraçar tanto
Faço do jeito que quero, assim.

Oiram Bourges 22/03/05


posted by Oiram Bourges 1:17 PM


Sábado, Março 12, 2005

 
Da série: Ao correr dos caracteres (7)

Um passado assustador

No início da Rua Benevides Fontoura está localizado um casarão de dois andares. Na casa com quase setenta anos de idade funciona uma pensão e uma estranha história que vez ou outra intriga seus hóspedes. O casal de alemães responsáveis pela construção do imóvel veio de seu país de origem tentar uma vida nova aqui no Brasil. Edhel e Friedrich temiam que as idéias do partido Nazista não fossem tão boas como se comentavam na época. Dessa forma, resolveram deixar sua pátria e evitar um possível pior. Mesmo sabendo das dificuldades que iriam passar por aqui eles vieram. Juntaram suas economias e algumas ferramentas e se aventuraram em um navio que partiu da Itália. As dúvidas de o quê fazer para se comunicarem com os outros, e como ganhar dinheiro em uma terra estrangeira eram constantes, mas com calma conseguiram uma solução. Como ele era um bom marceneiro resolveu trabalhar na sua especialidade, e ela fazia pães, bolos e bolachas para ajudar no sustento de suas vidas em terras brasileiras. Desembarcaram em São Paulo, mas acabaram se estabelecendo no Paraná pela facilidade encontrada.

O primeiro ano dos dois não foi fácil, pois o idioma era o principal "vilão" para que pudessem melhorar o padrão financeiro do casal. Principalmente porque a Europa passava um período de dificuldades, e de certa forma influenciava na economia brasileira. Além de serem também considerados uma ameaça pelos brasileiros. Com o passar do tempo as coisas foram melhorando. Bom, pelo menos os vizinhos já não estranhavam mais a presença dos dois, e assim foi aparecendo trabalho. Os poucos moradores que compunham a vizinhança do local passaram a comprar os pães que Edhel fazia. Já Friedrich era requisitado para construções de pequenas casas, galpões e abrigos para guardar as carroças e charretes que ainda circulavam pela cidade. Com quase cinco anos de trabalho conseguiram comprar um terreno perto da estação ferroviária. Lá fora construído uma grande casa muito bonita de dois andares. Como era praticamente em frente a estação, a idéia de uma pensão era perfeita para atrair os viajantes que pela cidade passavam. O resultado dessa investida foi melhor que o esperado pelos dois, e o sucesso não tardou a acontecer. Só tinha um hotel por perto, e que vivia sempre cheio. Para àquelas pessoas que sempre vinham a cidade simplesmente para passar a noite, o novo estabelecimento foi a melhor coisa feita na cidade. Dessa forma, os viajantes teriam mais uma opção para descansar da viagem, e assim pegar o trem no dia seguinte.

Os anos foram passando e a Segunda Grande Guerra não impediu de viverem sempre na paz e na prosperidade, não apenas financeiramente, a família foi aumentando também, e dois novos membros já faziam parte de seus cotidianos. Um dia o bem sucedido homem caiu em enfermidade. Logo descobriram que a doença era grave e não tinha cura, pois foram descobrir tarde demais. O que restou para sua esposa e os dois filhos fazer, resumia em apenas esperar o dia em que o sofrimento dele acabasse, mas da maneira mais dolorosa para todos. A adorável esposa e filhos em sinal de luto fecharam a casa por dois dias. Após o recesso, sua família continuou atendendo os clientes da pensão com a mesma cortesia de antes. Embora estivessem tristes com a ausência do membro tão querido da família. Mais dois anos se passaram, e Edhel que continuava triste adoeceu, e logo em seguida veio a falecer pelo fato de ter desenvolvido uma depressão intensa nos últimos meses. Seus filhos é que estavam tomando conta dos negócios, pois a pobre mulher vivia chorando e se lamuriando pelos cantos da casa. Neste caso também fecharam o estabelecimento em sinal de luto. Porém ficaram por cinco dias sem atividade, pois além da tristeza e a solidão causada pela morte da mãe deles, precisariam unir forças para conseguir levar adiante o projeto de seus falecidos pais.

Com as emoções se aflorando facilmente pela casa, os dois irmãos conseguiram aos poucos superar os problemas corriqueiros da pensão. Em outra época eles já haviam atendido a casa sozinhos, mas ainda tinha a supervisão da mãe. Agora teriam que tomar conta do comércio sem a ajuda de ninguém. Tarefa árdua para quem tinha pouca experiência. O tempo ajudou a superar as dificuldades, tanto emocional quanto financeira. Como eles estavam sós, não podiam contar com as outras pessoas, e acabaram cometendo alguns erros. Logo superaram o obstáculo, aí então aprenderam como deveriam fazer para não errar novamente. Com o movimento do local e a força de vontade dos dois restabelecidas, puderam investir um pouco na casa, deixando-a com cores mais "alegres", cortinas e móveis novos para deixar o ambiente menos nostálgico. No salão principal e na frente da pensão colocaram alguns canteiros com flores para mostrar aos clientes a tranquilidade que o lugar transmitia. Essas mudanças com certeza foram um grande diferencial na área de atuação que os dois estavam trabalhando. O local foi indicado por muitos que já estiveram hospedados na pensão. Isso queria dizer que o movimento estava aumentando gradativamente. É óbvio que tiveram que contratar duas pessoas para ajudar. Uma na cozinha e outra para arrumar as camas.

Era tempo de prosperidade para os que lá trabalhavam, tudo corria muito bem quando em um fim de tarde um barulho estranho surgiu nos fundos da casa. Apenas a cozinheira tinha ouvido, mas logo tratou de avisar o patrão do ocorrido. Elga continuou atendendo as pessoas enquanto Johann foi averiguar o que deveria ter feito o tal barulho. Procurou por todo pátio dos fundos mas nada foi encontrado, porém comentou com a funcionária que poderia ter sido um gato que ao pular produziu o ruído que ela teria ouvido. Passados três dias o mesmo barulho foi ouvido nos fundos da casa. Por sorte da mulher que trabalhava na cozinha que a Elga também estava por lá. O barulho era diferente de tudo que já se tinha ouvido, parecia alguém dizendo alguma coisa, mas era incompreensível para as duas, pois parecia ser em outro idioma. Assustadas saíram da cozinha correndo para avisar o rapaz que estava tirando os poucos matos que cresciam no canteiro de flores. Johann ao saber disto combinou com a irmã que daquele dia em diante ela ficaria mais tempo na frente atendendo as pessoas, enquanto ele tentava descobrir o que estava acontecendo. Nas primeiras semanas de atividade como vigia não aconteceu nada de diferente. A vontade do rapaz era desistir da idéia de ficar atendendo os fundos da casa, porque o tédio começava a tomar conta de seus pensamentos. Após dois meses, quando este já tinha decidido largar da função que lhe fora indicada ouviu um barulho muito estranho que vinha do fundo do terreno, algo parecido como se alguém estivesse raspando os muros da propriedade com uma faca vigorosamente, mas pensou ser fruto de seu pensamento, pois fazia muito tempo que estava esperando algo acontecer e já estava frustrado. Minutos mais tarde ele ouviu novamente, como agora estava alerta pôde realmente constatar que alguma coisa acontecia. Pegou um facão que ficava atrás da porta da cozinha e foi averiguar.

Andando devagar e com o cuidado de não alarmar ninguém foi se aproximando do possível local que aconteceu o barulho. Vasculhou toda a área mas não encontrou nada que pudesse evidenciar o ocorrido. Ao voltar para dentro da casa todos os funcionários perceberam algo errado com Johann. Sem hesitar ele perguntou o havia acontecido para que todos ficassem com as caras assustadas daquele jeito. A cozinheira disse-lhe que tinha marcas de queimado em forma de dedos na testa, e que seus cabelos estavam em pé, como se tivesse levado um choque. Curioso para ver o que tinha acontecido com ele correu para o corredor principal da pensão. No final deste corredor existia um grande espelho, no qual constatou que aquelas coisas ditas eram verdadeiras. Espantado com o que tinha acabado de ver ao se olhar no espelho pensou como isso teria acontecido, pois não tivera contato com absolutamente nada nem ninguém. A única coisa que aconteceu foi ouvir o barulho por duas vezes. Aquilo impressionou muito o rapaz e todos aqueles que viram tais marcas. A noite, durante seu sono as marcas em sua testa começaram a arder, isso o fez acordar. Percebeu também que estava com seu corpo todo suado, como não estava quente aquela noite pensou estar com febre. Diante do que estava acontecendo resolveu tomar um remédio, assim amanheceria melhor. Após ter se medicado voltou para cama, mas notou que sua testa ainda estava ardendo, porém não era de uma possível febre, mas das marcas que adquiriu durante o dia. Após ter passado uns quinze minutos ele ouviu um barulho estranho que vinha do quintal, seria o mesmo que ouvira antes se não fosse as vozes que acompanhavam o inexplicável ruído.

Sem pensar duas vezes se levantou para ver o que estava acontecendo na propriedade. Ao ver a imagem de seu pai pela janela de seu quarto, sentado em uma cadeira de rodas falando em um dialeto germânico que atualmente não se fala mais o jovem Johann assustado acordou de sua perturbada noite de pesadelos. O menino de treze anos contou todos os detalhes da terrível experiência para sua mãe. Impressionada, mas sem alarmar seu filho, contou que isso era só um sonho ruim. Porém essa foi uma história contada pelo seu avô no início do século XXI quando ela ainda era uma criança.

Oiram Bourges 10/08/2002

posted by Oiram Bourges 12:22 AM

Todo escritor teve algum dia um singelo começo


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