Valleta Culltural

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Quinta-feira, Setembro 22, 2005

 
MEMÓRIAS

Enquanto observava o pôr do sol adormeci
Sonhei que voltara no tempo
Num tempo em que só se retorna em sonhos
Cores vivas de uma época morta
Ah, que saudades deste tempo que não vivi
Senhores, cartolas, bengalas e charutos
Passeavam pelas calçadas ao final da tarde
Cumprimentando as senhoras e as senhoritas
Que sentadas ficavam acompanhando os cavalheiros
Com tímidos olhos de criança contente
Entre seus longos vestidos de seda e chapéus com fitas de cetim
Ah, esses tempos que não voltam mais
O romantismo fazia as vezes dessas tardes
O tempo era aliado nessas ocasiões
Músicas eram executadas parar embalar os namoricos
Sentimentos puros expostos com graciosidade
Tudo parecia não ter fim
Até que um novo dia chegou
Então despertei com o som do despertador
Aí o sonho acabou, aí meu passado se foi.

Oiram Bourges 15/09/2005



RACIOCÍNIO PERTURBADO

Ligações, conclusões, definições
Olhar, observar, assimilar
Emprestar, ceder, doar
Tomar, roubar, devolver
Tudo isso não é fácil entender
Caminho, corro, tropeço
Rolo, tombo em excesso
Rápido, devagar, parado
Sempre fico ali, sentado
Não tem diferença
Muito menos semelhanças
Quanto ainda tenho de pensar?
Escrever, anotar, escrevinhar
A quem mais quero enganar?
Respiro, suspiro, me afogo
Chega! Está na hora de acabar.

Oiram Bourges 19/09/2005

posted by Oiram Bourges 7:11 PM


Sábado, Setembro 03, 2005

 
Da série: Ao correr dos caracteres (23)

Sonho ou realidade?

Através de uma prática nova, descobri que poderia morrer. Seguramente, claro. De maneira induzida e indolor, pis até então pensava que morrer doía muito. Depois de ter feito algumas experiências práticas em outras pessoas, e conseguindo sucesso com o retorno das mesmas à vida novamente, pus, eu mesmo, a descobrir como é o ¿outro lado¿. Entrei então no equipamento que estávamos utilizando para a tal experiência. Podem me chamar de louco por isso, mas o equipamento que levava as pessoas ao outro mundo era uma geladeira adaptada. Bom, e nem tinha assim grandes adaptações para que funcionasse. Bastava apenas tirar o excesso dos alimentos do congelador para uma pessoa entrar lá. Sei que ficava apertado, mas assim mesmo deu resultado. Daí era só esperar um pouco até dar o momento certo para a morte acontecer.

Minutos mais tarde lá estava eu, todo encolhido naquele compartimento da geladeira. Mas só resolvi entrar para fazer esta prática porque já havia feito antes. Continuando; não demorou muito para que tudo acontecesse, e em poucos minutos eu estava morto. Mais algum pouco tempo se passou e fui acolhido por uma mulher aparentando ter uns cinqüenta e tantos anos. Muito agradável por sinal. E que, depois de uma única e simples pergunta minha respondeu com um: ¿é logo ali¿. Eu fui, claro, e às pressas... Ao sanitário. Estava louco de vontade de urinar. Creio que estes tipos de experiências causem alguns distúrbios em nossas mentes, ou corpos, sei lá. Bom, e assim fiz como se estivesse naqueles porres memoráveis de cerveja.

Depois de aliviar-me no... Num pátio escuro, pois não deu tempo de chegar ao banheiro, lavei as mãos em uma pia de enfermaria, que estava localizado perto dali. Porém, vi, enquanto procurava enxugar minhas mãos, algumas pessoas deitadas em macas cheias de sangue. Isso me fez crer que tinham morrido por causa de acidentes, ou, não sei dizer. Tem tantas maneiras trágicas de se desligar da vida. Enfim, estavam ali para se recuperarem deste trauma, e depois, curtir o que aquilo lá tinha para oferecer.

Assim que conclui com minhas olhadelas, e com todos os pensamentos superficiais sobre a aparência daqueles sujeitos deitados e ensangüentados, e o pouco que vi do lugar voltei para a mulher. Afinal de contas, eu não conhecia nada nem ninguém. Então, seria prudente ficar com a pessoa que me acolheu. E ela, sem pressa, ia me mostrando os ambientes, como se todo o tempo que ela tivesse fosse dedicado para mim. De certa forma agradeço por ela ter ficado junto a mim, consegui ficar mais calmo com isso.

Num determinado tempo recebi a visita de uns jovens, mas estes me causaram uma certa agonia, pois eram, com toda a alegria, extremamente ruidosos. Não que eu fosse contra essas atitudes... Está certo, não gosto de gente barulhenta. Na verdade o que me deixou eufórico ainda era saber que estava morto, e vendo minha indignação, todos esses jovens, acompanhados da mulher, me levaram à uma sala onde se podia ver alguns prédios existentes. Confesso que fiquei num misto de maravilhado, com as construções, e decepcionado, por não ter visto nem um anjo circulando por lá. Mas quanto a isso não tenho culpa de pensar assim. Na doutrina religiosa da qual fazia parte ainda se pensa assim, em anjos. Mas tudo bem.

Lá pelas tantas, vendo que ninguém se manifestava sobre qual seria meu destino, se voltava à vida que tinha, ou ficava ali, perguntei receoso para a mulher se a minha hora já tinha chegado. Ela abriu um sorriso e respondeu que era para eu ficar tranqüilo, pois eu ainda tinha mais tempo nesta vida, e que só não disse nada sobre meu retorno porque eu não havia me manifestado ainda. Então perguntei sobre meus familiares, e ela, cheia de calma, disse apenas que minha família estava bem, e que um dia todos se encontrariam, para alguns, e se conheceriam para outros.

Depois disso, como num passe de mágica, voltei. E quando abri os olhos estava eu em minha cama. Oras! Mas isto foi um sonho, pensei. Seria isto mesmo? Mas tudo aquilo que vivenciei foi tão... Reconfortante. Posso dizer que me sinto em relação a este fato, a morte, até mais tranqüilo. Parece até que perdi o medo de morrer, ou pelo menos penso ter perdido o medo. Sabe, é tudo muito estranho, um sonho que parece ter sido a verdade. Como se eu tivesse morrido, visto tudo por lá, no lugar aonde todos iremos daqui um tempo, e voltado para viver um pouco mais até que dê o momento oficial de partir. Não sei, mas um dia certamente irei comprovar se foi ou não um sonho.

Oiram Bourges 24/08/2005

posted by Oiram Bourges 4:44 PM

Todo escritor teve algum dia um singelo começo


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