Valleta Culltural

Valleta Culltural

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Quinta-feira, Junho 22, 2006

 
GLÂNDULAS REPRODUTIVAS EM FLOR

A menina engraçada, olhou por um buraco e viu o segredinho de um piá pelado.
Abriu bem o olho e fez um beicinho, fumou um Lucki Strike, como nos filminhos.
Olhou sorridente praquilo que o menino esconde de toda gente.
Era uma vez uma menina engraçada, que vivia sonhando com gente pelada.

Débora Avadore

posted by Oiram Bourges 12:42 PM


Terça-feira, Junho 20, 2006

 
Da série: Ao correr dos caracteres

ENCONTRO CASUAL

Havia um tempo atrás duas velhas solteironas que sempre pegavam o ônibus no mesmo horário do meu quando eu voltava para casa no final da tarde. Elas eram por demais reparadoras nas coisas que aconteciam, tanto que quase ninguém escapava de seus olhares críticos e caquéticos. Aliás, elas eram inteiramente caquéticas. Viviam reclamando de dores nas costas, pernas, cabeça, braço, pescoço, unha e até nos cabelos, que por sinal eram postiços. Bem como os dentes, cílios, e talvez até elas mesmas fossem postiças, sei lá.

Bom, certo dia estávamos nós esperando nosso ônibus na praça quando as duas velhotas perceberam a presença de um sujeito diferente junto ao carrinho de pipoca. O cara estava apenas conversando com o proprietário do carrinho e comendo umas pipoquinhas quando percebeu que elas não paravam de observá-lo, além dos comentários que teciam do gosto particular e ridículo do camarada. Está certo que trajar bermuda e camiseta com sapatos não ficam lá muito bem, nem usar a quantidade de correntes e pulseiras de ouro e prata que estava usando, mas isto também é coisa dele. Ninguém precisa se ocupar com a vida alheia. Contudo, isto é pensamento meu.

Mas meus pensamentos não serviram de nada, pois em poucos minutos a coisa ficou feia naquele setor da praça. Houve um bate-boca dos diabos. O sujeito enfurecido com as velhinhas muito pouco discretas, e elas, histéricas até não poderem mais por causa da situação que criaram. Xingamentos não faltaram. Se bem que isto é praxe em ocasiões como estas, pois onde já se viu barracos sem palavras de baixo calão. E é claro que desta vez não seria diferente. Claro que para o quadro ficar completo precisaria do tumulto, e a confusão do empurra-empurra e das cotoveladas para garantir o melhor lugar na observação do espetáculo também aconteceu.

O pessoal que compunha a onda que empurrava para um lado gritava: "eia!". Já o grupo dos que puxavam para outro lado gritava: "opa!". E esta situação continuou por mais um tempo, até que de súbito ouviu-se outro grito, o do sujeito que havia começado toda esta gritaria. Porém, agora era para avisar que alguém o surrupiou a carteira com seus documentos e os poucos trocados que possuía. E como se não bastasse, algumas de suas correntes também sumiram. Com isto a multidão se dispersou. Talvez as pessoas estivessem com medo de serem acusadas de furto.

O infeliz prostrou-se na calçada perto do carrinho de pipoca e das velhas senhoras, que eram de existência postiça e sentiam dores até nas roupas que usavam, e começou a chorar feito criança perdida da mãe em dia de feira. No entanto, o desfecho deste acontecimento foi inesperado para este coitado. Vítima de chacota anteriormente, e logo em seguida vítima de furto sentiu-se amparado justamente pelas chacoteiras. E após esta situação bizarra tudo se tornou ainda mais bizarro, pois as duas velhas o pegaram pelas mãos e entraram no ônibus do qual estavam aguardando há tempos. Ao final todos conviveram bem no mesmo lar. Mas dentro de suas limitações emocionais, claro.

Oiram Bourges 03/06/2006

posted by Oiram Bourges 12:44 AM


Terça-feira, Junho 13, 2006

 
ESCREVINHADO

Espetacular era esta esperança estranha
Embora estivesse entre elites embotadas
Escalou esbaforido escadas esboroadas
Elucidado elogiou embalde e ecoando
Édens edificados em elegantes eixos
Entre estátuas eclesiásticas eretas
Estava ele escalavrado e escafujando
Escabichando escabrosos escabelos entortados.

Oiram Bourges 12/06/2006


SUPERTUDO

Superabundante era o suor que saia do supercílio
Superar a saída tão suntuosa supimpa e de supetão
Sulcou superficialmente o simplório suplicante
Superior da superintendência não era o super-homem suposto
Surtando supervisionou superficialmente a superfície
Surpreso soltou um suspiro um tanto suspenso
Superpondo sabiamente os seus sobre as suas
Superestimou a supremacia do supra-sumo.

Oiram Bourges 26/05/2006

posted by Oiram Bourges 8:10 PM


Sexta-feira, Junho 09, 2006

 
DO CANTO DE LASSIDÃO

Por isso basta o ultimo cigarro aceso e o sorriso desvairado do perdedor,
A vida é uma merda, mas devemos negar tal fato para podermos subir aos céus e beber com Deus.
No meu paraíso, jovens ninfas em pequenos shortinhos brincam num jardim, vestem mini blusas e de seus umbigos dilaceram os olhos perscrutadores... suas ancas engolindo a vida, como um bolo de chocolate sendo engolido por uma boca de metal.
Se a tristeza é sina, a decepção sempre tão perto copula em noites mostardas; deve-se antes de tudo matar o sonho, arruinar a esperança... daí teremos a vida...dessas vidas cruas, cheiro de carne queimada, rostos na imensidão mentirosa e um verso gritado na cabeça doentia.
Tudo é farsa e entre os goles mais profundos obtemos a nossa verdade,
atrás das nuvens talvez o matador se esconda...o amor é remédio e desse vicio obtem-se a vontade de abrir os olhos pela manhã...amor por ela...amor por eles...mas não amor por isso tudo que se chama vida...a chama do isqueiro e seu balé...isqueiro de metal como meu coração...
Quero morrer junto ao mar, cópula tão molhada e apaixonada...
Para mim, um não tão jovem homem triste não perdoado por sonhar deve-se roer os dedos até a chegada do alvorecer... Câncer no ânus... Noites voláteis,
Olhos volúveis.
Para todos esperançosos, basta meu grito, minha raiva carcomida... O ódio...para os que alimentaram os sonhos, um licor saboroso para seus lábios e deixem-me sozinho.
Texto lamento, texto fétido, texto lassidão... Alimento para meus algozes.
Mis uma vez Antonio Marcos cantando na minha cabeça... Fragmento das imagens do dia, das falas dos outros... Da mentiras
Pergunte ao ócio onde encostar sua cabeça, beba gin até o fim do dia... Todos suicidas, todos loucos, todos visionários mortos numa cama de cetim...
Girassóis em sua blusa, sangue e devoção... um dia, tudo tornar-se-à alegria...
Automatismo da palavra, verso livre, distorção...
Mangaba nos lábios, um sorriso curto, olhos tortos, contas para pagar...
Seu Deus está encostado na mesa do bar, enquanto lá em cima, alguém sodomiza a garota junto aos cantos do sabá.
Verso perdido...para os que lamentam, para os que se ofendem...meu verso é lâmina,minha prosa gritada é fragmentação...
a estrada vazia, levava-me ao teu encontro, e só essa certeza eu tinha...ultimo cigarro aceso, garrafa ainda cheia, num pequeno casebre onde chamavam de mercearia, num lugar distante, junto as serras e o mar.

Fabio Santiago

posted by Oiram Bourges 9:17 PM

Todo escritor teve algum dia um singelo começo


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