Valleta Culltural
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Quinta-feira, Agosto 10, 2006
NA LÁGRIMA DO POETA
Teu amargor é tão perene
Teus rios revoltos
Tua pele cinza
O ocre dos vidros
A velha loucura
Vou seguindo os passos dos que já passaram
Na ira da vida
A frase célebre
A sua voz
Toda a insistência pelo cardíaco batimento
O verso torpe
As palavras soltas
Inquieto recebo farpas
Está por aí? Na lágrima do poeta
No ventre violado
Na voz trêmula do velho Francisco.
Cansado, longe dos seus.
No cárcere de outrora
Perversões filmicas
Cortes profundos
Lua cheia, marcada.
Braços tatuados
Respiro ainda,
Prolongado.
Disforme
Tolo
O absinto molha a língua
Tua foice corta o que restava
Não quero sua sofreguidão
Canto baixinho
Ligo o cigarro e não ouço ninguém
Longe de mim
Longe de ti
Abasteço a discórdia
Segure a sua piedade no colo
Desista não sou seu
Um olho fechado
Um pequeno adeus
O girassol molhado
A partida
Nem todos beijos são de amor
Nem sempre quem vive quer viver
basta um corte, uma fenda, um ardor
Basta a ruptura, basta o desespero
A fumaça cinza, o coco calvo.
Grito para o vazio
Debaixo da língua o vicio
Quero antes de tudo sua anca
O olhar baixo
Todos os santos no meu funeral
Todo verso na boca do assassino
A face em meia luz
O corpo alvo
Não me diga o que fazer
Não queira-me por perto
Sou a perda, sou moeda
Um verso inútil, na boca de um poeta
Um sonhador, daqueles que não serve para nada.
Fabio Santiago
posted by Oiram Bourges 12:20 AM
Todo escritor teve algum dia um singelo começo