Valleta Culltural

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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

 
SENTIMENTOS FINAIS

Fiquei admirado quando vi teus olhos tristes
Teus olhos lacrimejantes e mortos naquela tarde
Na tarde brusca e chuvosa de meu enterro
Nenhuma tarde de inverno foi tão sentida quanto aquela
Os lábios púrpuros trepidavam de frio de tristeza de solidão
Meus pensamentos iam se perdendo se multiplicando ao vento
As lamúrias vagavam pelos corredores enquanto eu sorria
Passos sincronizados acompanhavam meu coração parado sem vida
Uma fina chuva caía onde antes tinha flores reluzindo ao sol
De repente acordei congelado costurado magro e nu
Exposto aos olhares cansados de tanto olhar ao léu
Buscando repostas onde não havia nem perguntas
Enfim tudo enegreceu tudo voou tudo chegou finalmente
Com a grama enraizando em minha testa fiquei a contemplar
A vida torpe que tivera sem receber as menções prometidas
Lúgubre se tornou o dia e eu sorrindo dei um adeus.

António Amarillo Peçanha 2006

posted by Oiram Bourges 4:18 PM


Sábado, Setembro 09, 2006

 
ENTRE UM GOLE DE CAFÉ E A CACHAÇA

Entre um gole de café e a cachaça
Meia hora ou talvez mais de espera.

O trem que parte vai junto a serra
O abismo que separa tem entre a palavra
escrita e a imagem em movimento a solução.

Os sábios dizem para esperar que a hora chega.
Os Fabios, os Marios, os Serafins dizem que tem pressa: Senão a vida os leva.

Mas a vida leva a todos; portanto, os sábios que não são Fabios
e sabem das coisas, devem ter razão; Mas os Fabios, os Marios e os Serafins que vivem
onde tudo passa tão rapidamente, ou seja, na terra
já vêem seus nomes escritos no obituário, já vestem a mortalha,
até a moléstia coloca-lhes de cama; enquanto o sábios, estes, imaculados,
observam a vida de quem passa do outro lado da estação.

Quem tem pressa às vezes erra.
O que espera talvez não chegue.
A alegria para alguns é prenuncio de morte.
A tristeza para outros é modo de vida.

Que belezinha, após o gole de café para despertar e com a chegada da cachaça,
a tarde clareia o dia de forma sem igual,
sem esquecer o caminho que me leva a cidade do sol.

Fabio Santiago

posted by Oiram Bourges 3:58 PM

Todo escritor teve algum dia um singelo começo


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